Mulheres conquistam espaço na logística no Brasil

A presença feminina entre profissionais de logística e transporte ainda é tímida no Brasil, mas vêm surgindo vozes e trajetórias que mostram que os paradigmas estão sendo quebrados. A caminhoneira Monique Ferreira e a prática de navio Edelnice de Freitas compartilham suas histórias em setores historicamente dominados por homens — e ajudam a evidenciar o valor da diversidade.

 

Números que chocam

No Brasil, apenas 3,4% dos motoristas licenciados para veículos pesados são mulheres. Globalmente, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), mulheres representam, em média, 17% da força de trabalho em transportes e logística.

Esses dados revelam que, embora o percentual esteja aumentando, o avanço ainda é lento — o que reforça a urgência de políticas e mudança cultural.

Vozes femininas em ação
• Monique Ferreira, 34 anos, atua como caminhoneira há 10 anos. “No começo ouvi que ‘isso não é para mulher’. Hoje, subo a boleia, mexo no motor, preparo a viagem, e não aceito que digam que não posso”, relata.
• Edelnice de Freitas, 39 anos, é prática de navio em um dos portos brasileiros há 12 anos. “Quando percebi que podia pilotar equipamentos portuários e coordenar operações, entendi que o gênero não determinava a tarefa — a competência sim”, afirma.

Perspectiva da especialista

Isabel Dias da Silva comenta: “A diversidade traz ganhos concretos — mulheres trazem outro estilo de comunicação, visão de equipe, cuidado com processos. No setor logístico, isso melhora eficiência, reduz falhas e amplia a cultura organizacional”.
Ela acrescenta que empresas que promovem diversidade e formam equipes mistas têm demonstrado melhores resultados em inovação e resiliência interna.

Barreiras persistentes

Apesar dos avanços, ainda existem obstáculos relevantes:
• Falta de infraestrutura de apoio (como alojamentos seguros para mulheres em longas viagens rodoviárias).
• Cultura de trabalho predominantemente masculina, que pode gerar hostilidade ou falta de pertencimento.
• Falta de políticas de recrutamento ativo para mulheres em logística e transportes.
• Salários e posições de liderança que ainda refletem desigualdade de gênero.

Caminhos para o futuro

Isabel recomenda:
1. Programas de recrutamento e treinamento voltados para mulheres em transportes e logística.
2. Incentivo para que empresas criem rotas seguras, adaptem equipamentos e ofereçam mentoria.
3. Expansão de campanhas de conscientização, como a iniciativa “Caminhos para Elas” da fabricante de caminhões, que já ajuda a abrir portas para mulheres no transporte.

4. Metas de diversidade e monitoramento de resultados, para que não seja apenas simbólico.

A jornada ainda é longa, mas segundo Isabel, “quando vemos Monique na estrada e Edelnice no convés de navio, sabemos que a mudança está em curso”. O setor logístico do Brasil só tem a ganhar com mais mulheres — em todos os níveis.

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