Desafios para mulheres no setor logístico

Embora o cenário de presença feminina em logística esteja crescendo, os desafios são reais e demandam atenção imediata. Segundo Isabel Dias da Silva, parte significativa do trabalho de transformação depende tanto da empresa quanto da sociedade reconhecer as barreiras — e enfrentá-las.


Experiências que falam

 

Monique Ferreira conta que, em viagens longas, precisou “mostrar que podia lidar com cargas pesadas, manter tempo de entrega e resolver imprevistos sozinha”. Ela lembra que muitos colegas questionavam sua entrada na profissão: “Você vai conseguir? E se acontecer algo na estrada?”.

 

Edelnice de Freitas relata que, ao chegar para trabalhar em manobra portuária, ouviu colegas comentarem “ah, mas isso é para homem”. Para ela, “provei que podia dirigir guindaste, articular a atracação do navio com precisão e até sugerir melhorias operacionais”.

 

Aspectos críticos identificados


•    Visibilidade e liderança: embora mais mulheres entrem no setor, poucas chegam às posições estratégicas — o que limita o impacto transformador da diversidade.
•    Cultura organizacional: Segundo relatório da OECD, a média mundial de mulheres no transporte/logística é de 17%, revelando que o setor ainda é “terra de ninguém” para gênero. 
•    Interseccionalidade: Em estudos sobre transporte e mobilidade no Brasil, fatores de gênero e raça mostram que mulheres negras enfrentam barreiras adicionais. 
•    Reconhecimento salarial e condições de trabalho: Ainda há relatos de mulheres recebendo menos ou tendo condições menos favoráveis em tarefas comparáveis às de homens.


Estratégias sugeridas por Isabel

 

Para que as mulheres não apenas ingressem, mas permaneçam e ascendam no setor, Isabel propõe:


•    Mentoria e redes de apoio entre mulheres na logística.
•    Programas estruturados de treinamento técnico (ex: direção de caminhão pesado, operação portuária, multimodalidade).
•    Políticas de flexibilidade e segurança (em rotas longas, alojamentos, ambiente de trabalho).
•    Relatórios públicos de diversidade dentro de empresas e metas explícitas de contratação e promoção.

 

Visão de futuro

 

“A logística brasileira não será mais competitiva se não for inclusiva”, afirma Isabel. Ela acredita que com mais mulheres no volante, no comando das operações portuárias e na gestão da cadeia logística, o setor ganhará em inovação, sustentabilidade e resposta ágil.
O cenário fictício da empresa “TransLog Mulheres” mostra como uma transportadora 100% feminina conseguiu reduzir absenteísmo, aumentar pontualidade nas entregas e melhorar clima interno — e serviu de inspiração para outras empresas do setor.

 

Conclusão

 

Os obstáculos são muitos, mas o momento é de oportunidades: para as mulheres que ousam entrar, para as empresas que promovem mudança e para o país que precisa de todas as mãos — e de todas as mentes — para equipar sua logística para o século XXI.

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