Tainara Ferreira comenta ataques a Lucas Pizane e critica silenciamento de homens vÃtimas de assédio
A consultora e especialista em relações étnico-raciais e de gênero Tainara Ferreira se pronunciou sobre os ataques recebidos pelo cantor e influenciador digital Lucas Pizane, após ele relatar publicamente ter sido assediado por uma mulher durante um show em Salvador.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e revelou uma onda de comentários que deslegitimaram o relato e questionaram a sexualidade de Pizane - comportamento que, para Tainara, é expressão direta da masculinidade hegemônica.
Ao comentar o caso ocorrido com o ex-participante do BBB, a especialista recorreu à teoria da socióloga australiana Raewyn Connell, que define o ato como uma força social que não atua apenas no plano individual, mas que estrutura relações de poder e impõe um padrão dominante de ser homem.
Segundo ela, esse tipo de masculinidade desacredita homens que se colocam em posição de vulnerabilidade, reforçando estigmas e silenciando denúncias de violência que não se enquadram no padrão heteronormativo e machista.
“Nesse caso, o homem que se atreve a expor que foi assediado desafia diretamente as normas da masculinidade hegemônica, que prega que o homem deve ser forte, inabalável e nunca a vítima. Da mesma forma, que sua sexualidade será questionada em virtude de Pizane, aos olhos da masculinidade hegemônica, ter quebrado as regras deste código social, descredibilizando a experiência sofrida por ele como "piada" ao invés de considerar o assédio como algo ruim e inaceitável”, afirmou Tainara.
Nas redes sociais, o posicionamento foi celebrado e apoiado por Lucas Pizane e demais pessoas, que ressaltaram a importância de discutir tal tema e trazer reflexões sobre uma forma de assédio ainda rotineiro em nossa sociedade, mas tratado de maneira cômica, não dando espaço às vítimas de se manifestarem.
A análise está diretamente conectada ao capítulo escrito pela consultora no livro “O Futuro das Novas Masculinidades”, obra coletiva que será lançada no próximo dia 31 de agosto. No texto intitulado “Ei, mulher, até quando essa masculinidade te atravessa?”, a autora propõe uma leitura crítica dos efeitos da masculinidade tóxica sobre mulheres, homens e toda a sociedade, apontando caminhos possíveis para novas formas de ser e de se relacionar.
O livro reúne diversos especialistas e pesquisadores que pensam o futuro das relações de gênero a partir da desconstrução de estereótipos tradicionais e da promoção de masculinidades mais plurais, empáticas e responsáveis.
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