CER Barra realiza roda de conversa sobre identidade e autonomia de mães de pacientes atÃpicos
Encontro “OcCásio Entre Nós” reuniu mães para compartilhar experiências, projetos e trabalhos
O Centro Especializado em Reabilitação (CER) Barra da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador, realizou nesta quarta-feira (30) a roda de conversa “OcCásio Entre Nós”, voltada às mães de pacientes atípicos atendidos pela unidade. Administrado pelo Instituto Occasio, o CER promoveu o encontro como parte das atividades direcionadas às famílias, com uma proposta de discutir a trajetória dessas mulheres para além da maternidade.
As participantes, todas integrantes do projeto AFAGO, iniciativa voltada para mães e familiares de crianças e adolescentes atípicos e neurodivergentes acompanhados pelo CER, participaram de uma conversa sobre suas histórias antes do diagnóstico dos filhos. Em um formato de bate-papo, o encontro abriu espaço para falar sobre vida profissional, empreendedorismo, relações pessoais, habilidades, sonhos e atividades que faziam parte da rotina dessas mulheres.
A proposta também foi olhar para aquilo que muitas vezes fica em segundo plano após a chegada de um diagnóstico: a identidade da mulher para além do papel de mãe.
Parte dessas histórias esteve representada na exposição realizada durante o encontro. As mães apresentaram produtos e trabalhos produzidos por elas, incluindo atividades que haviam sido interrompidas e que algumas voltaram a realizar ou aperfeiçoaram após integrarem o AFAGO. A mostra reuniu diferentes habilidades e iniciativas, incluindo produções relacionadas ao empreendedorismo e a interesses pessoais que passaram a ganhar novamente espaço na rotina das participantes.
Para algumas delas, esse processo ainda está em construção. O trabalho desenvolvido com as famílias também contempla a identificação de possibilidades para que essas mulheres possam desenvolver novas habilidades, recuperar atividades que faziam parte de suas vidas e construir outros caminhos pessoais e profissionais.
A experiência de participar desse processo foi destacada por Carla Nascimento, mãe atípica e participante do projeto AFAGO, que também relatou mudanças percebidas desde que passou a frequentar o CER.
“Hoje eu me sinto acolhida, amada e diferente de quando cheguei aqui. No início, não falava e não me comunicava, e hoje consigo perceber o quanto evoluí. O Occasio nos acolhe como uma família e também nos mostra que somos capazes. É como se nos desse a corda para lançarmos voo. Sou muito grata por todo esse processo.”
Segundo Josenilda Liberato, Supervisora Técnica do Instituto Occasio, o acompanhamento dos familiares está relacionado ao próprio processo de cuidado dos pacientes.
“Tenho reforçado diariamente com essas famílias que o diagnóstico do filho não precisa significar o fim da história da mulher. Antes de serem mães de pacientes atípicos, elas já tinham uma história, uma identidade, sonhos e habilidades. Nosso trabalho também passa por ajudá-las a reconhecer esses potenciais e encontrar caminhos para desenvolvê-los novamente.”
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