Pacientes enfrentam longa espera por regulação para atendimento especializado na Bahia
Casos acompanhados pelo CORREIO mostram pacientes internados em UPAs de Salvador aguardando transferência, exames e atendimento especializado
A demora para conseguir atendimento especializado por meio da regulação estadual tem afetado pacientes internados em unidades de saúde de Salvador. Segundo reportagem publicada pelo CORREIO nesta sexta-feira (2), dois casos chamam atenção pelo período de espera e pela necessidade de procedimentos especializados.
Um dos casos é o da costureira Sonia Pereira Silva, de 52 anos, moradora de Jequié. Ela chegou a Salvador no dia 26 de agosto, após apresentar manchas escuras pelo corpo e episódios de sangramento. Após ser diagnosticada com baixa quantidade de plaquetas, foi encaminhada à capital em busca de tratamento especializado.
Internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) dos Barris, Sonia aguardava havia quase 40 dias por uma vaga em uma unidade hospitalar com atendimento em hematologia. A UPA realiza atendimentos de urgência e emergência, mas não dispõe do serviço especializado necessário para o tratamento da paciente.
Outro caso relatado pela reportagem envolve Ivonilde Santos Xavier, de 58 anos. Internada na UPA Santo Antônio, no Bonfim, ela aguardava desde 24 de setembro a realização de uma tomografia de abdômen e tórax. O exame foi solicitado para investigar uma suspeita de carcinomatose peritoneal.
Como funciona a regulação
A regulação estadual é responsável por organizar o acesso a consultas especializadas, exames, internações e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com informações apresentadas na reportagem, a definição da prioridade considera fatores como gravidade, condição clínica, risco de agravamento e necessidade de cuidado.
A pesquisadora e professora da Universidade Católica do Salvador, Joana Azevêdo Lima, explicou ao CORREIO que a fila precisa ser dinâmica, já que o estado de saúde do paciente pode mudar durante o período de espera.
A reportagem também retoma dados de uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), que apontou aumento nos tempos de espera para diferentes especialidades médicas entre 2019 e 2024. Segundo o levantamento citado pelo jornal, hematologia e oncologia estavam entre as áreas com períodos de espera considerados críticos.
O caso também evidencia um dos desafios do sistema de regulação: garantir que pacientes tenham acesso, no tempo necessário, aos serviços especializados de que precisam, especialmente quando a unidade onde estão internados não dispõe da estrutura adequada para dar continuidade ao tratamento.
Fonte: Correio (BA), reportagem de Lucas Pereira, publicada em 2 de outubro de 2026. A matéria original pode ser consultada no site do Correio 24 Horas.
Crédito: Arisson Marinho/Arquivo CORREIO
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