Câmara dos Deputados realiza audiência pública sobre parto humanizado, analgesia peridural e redução de cesáreas no país

No dia 2 de dezembro de 2025, a Câmara dos Deputados sediará às 10 horas, uma Audiência Pública que promete colocar no centro do debate nacional um dos temas mais sensíveis da saúde pública: o direito das mulheres a um parto mais humano, seguro e sem sofrimento. O encontro irá discutir o Projeto de Lei nº 6567/2013 e as condições necessárias para ampliar o acesso à analgesia peridural no parto normal, especialmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Brasil vive uma realidade alarmante. Atualmente, cerca de 60% dos partos no país são realizados por cesariana, índice muito acima dos 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Estudos do Ministério da Saúde e da Fiocruz demonstram que o medo da dor é um dos principais fatores que levam mulheres (sobretudo no SUS) a optarem por uma cirurgia, realizada muitas vezes sem indicação clínica.

A analgesia peridural é uma técnica segura e amplamente utilizada no mundo. Ela consiste na aplicação de anestésico na região lombar, bloqueando as vias de dor durante o trabalho de parto, sem eliminar a consciência da mulher e sem impedir sua participação ativa no nascimento do bebê. Em países como a França, a analgesia peridural está presente em cerca de 85% dos partos normais, com taxas de cesariana ao redor de 20%, enquanto no Brasil o acesso pelo SUS ocorre em menos de 5% dos partos vaginais, revelando uma profunda desigualdade social no cuidado materno. 

É nesse cenário que se insere o Projeto de Lei nº 6567/2013, em tramitação no Congresso Nacional. A proposta busca garantir, no âmbito do SUS, o direito das parturientes ao acesso à analgesia de parto, além de estimular a qualificação das maternidades e capacitação de equipes multiprofissionais. O objetivo central é transformar o alívio da dor em uma política pública estruturante, e não em um privilégio restrito à rede privada, e que a analgesia peridural possa ser uma ferramenta para apoiar a redução das taxas de cesárea no país.

A audiência será também uma oportunidade de apresentar os resultados do Projeto Parto sem Dor, uma cooperação técnico-científica internacional iniciada em 2022 entre a Fiocruz, o Instituto de Saúde Coletiva da UFBA (ISC/UFBA) e centros hospitalares universitários da França. A iniciativa já está em implementação em maternidades do Rio de Janeiro e de Fortaleza, e avança em diálogo com a Bahia, com foco em ampliar o acesso à analgesia e reduzir as iniquidades que afetam principalmente mulheres negras e em situação de vulnerabilidade.

Para a coordenadora do Centro Colaborador para Redução da Mortalidade Materna do ISC/UFBA, Dra. Mônica Neri, a pauta é uma questão de direitos humanos e justiça social: “Garantir acesso à analgesia de parto não é um luxo, é cuidado básico. O sofrimento das mulheres no parto não pode ser naturalizado. Discutir o parto humanizado é enfrentar desigualdades históricas que atingem, sobretudo, mulheres pobres e negras que dependem exclusivamente do SUS.”

A Dra. Maria do Carmo Leal, pesquisadora da Fiocruz, enfatiza que “além de oferecer conforto às mulheres durante o trabalho de parto e parto, o acesso à analgesia peridural pode ser um poderoso aliado na redução das cesarianas no país”.

A audiência reunirá parlamentares, gestores públicos, cientistas e entidades médicas com a missão de qualificar o debate e construir caminhos concretos para que o parto normal deixe de ser associado à dor e ao medo, passando a ser uma experiência de respeito, dignidade e segurança para milhões de brasileiras.

PARTICIPANTES CONFIRMADOS

•    Drª. Maria do Carmo Leal – Pesquisadora Sênior da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) 
•    Dra. Mônica Neri – Coordenadora do Centro Colaborador para Redução da Mortalidade Materna do ISC/UFBA
•    Dr. Rômulo Negrini - Representante da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO)
•    Dr. Antonio Carlos Aguiar Brandão – Diretor-Presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA)
•    Enfª Luciane D’Ávila – Presidente da Associação Brasileira de Enfermeiras Obstétricas e Obstetrizes (ABENFO)
•    Dr. Fernando Figueira – Diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (DAHU) do Ministério da Saúde 
•    Parlamentares da Câmara dos Deputados

Outras notícias

POLÍTICA

Projeto de lei cria selo “Salvador Sem Desperdício” para incentivar redução do descarte de alimentos na capital

17 de Março de 2026

SAÚDE

Hemoba reforça atendimento nas unidades móveis de coleta

17 de Março de 2026

CULTURA

Com novo nome, feira de crochê e macramê acontece em shopping de Salvador até o dia 28 de março

17 de Março de 2026

CIDADE

Tribunal de Justiça da Bahia promove leilão online com móveis e eletrônicos a partir de R$ 230

17 de Março de 2026

FAMOSOS

Gil do Vigor rebate ex-MasterChef após comentário considerado homofóbico; veja o caso

17 de Março de 2026

Ver mais

Do amor à indecisão 09 de Março de 2018

TJBA lança app para vítimas pedirem medida protetiva, nesta segunda-feira 09 de Março de 2026

TSE mantém multa contra campanha de Bolsonaro por fake news 21 de Junho de 2023

Gil do Vigor rebate ex-MasterChef após comentário considerado homofóbico; veja o caso 17 de Março de 2026

Após recusas de Evaristo Costa e André Marques, Leandro Hassum é escolhido para apresentar novo reality de Boninho 16 de Março de 2026