Dados sobre feminicídios são debatidos em sessão na Câmara
Outros temas destacados foram as possíveis consequências, no Brasil, da guerra no Oriente Médio e os números da segurança pública no Estado
Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher (8 de março), a luta pela redução dos feminicídios na Bahia – que, em 2025, registrou 103 mulheres assassinadas, ocupando a quarta posição entre os estados com maior número de casos no país, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), vinculado ao Ministério da Justiça – dominou a pauta da sessão ordinária desta terça-feira (3), na Câmara Municipal de Salvador.
De acordo com o levantamento, mais de 80% das vítimas são mulheres negras, jovens e trabalhadoras, revelando o recorte racial e social da violência. Para o movimento, a escalada reflete falhas estruturais nas políticas de proteção e atendimento às mulheres, além da insuficiência de orçamento para serviços especializados e da morosidade na aplicação de medidas protetivas.
Para a vereadora Débora Santana (PDT), a luta precisa ser constante; contudo, neste mês, é momento de a Casa olhar de frente para essa “triste realidade, que assusta, aflige tantas mulheres, que vivem com medo e preferem se calar por medo de denunciar seus agressores, independente da classe financeira”.
Ela questionou, ainda, até quando será aceitável que as mulheres se calem diante do poder que o homem exerce nas instituições. “Precisamos instituir a cultura de que denunciar é um ato de amor a nós mesmas, que ninguém larga a mão de ninguém e que todas contarão com os serviços de proteção”, afirmou.
A colega Aladilce Souza (PCdoB) também tratou do tema. “Quero chamar a atenção desta Casa para nos engajarmos nessa pauta. Não podemos falar em momento civilizatório, em democracia, com essa triste realidade. A masculinidade não suporta o avanço das mulheres e parte para o desespero; não conseguiram avançar no papel de verdadeira solidariedade e amor. Então, é absurdo o que temos visto, com homens matando suas companheiras. E não basta discursar, mas planejar ações, tratar como tarefa urgente para enfrentarmos essa chaga do feminicídio”, destacou, conclamando pela retomada do funcionamento do Conselho Municipal da Mulher em Salvador.
Estado de guerra
Sem fugir do tema violência, em meio ao clima de tensão envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, o vereador Claudio Tinoco (União) registrou a existência de um relatório elaborado por um grupo do Congresso dos Estados Unidos dedicado a monitorar a China. O documento aponta que o Brasil abrigaria uma base militar secreta chinesa. A instalação, chamada Estação Terrestre de Tucano, estaria localizada em Salvador, na sede da Ayla Space, empresa brasileira do setor aeroespacial que mantém parceria com a Beijing Tianlian Space Technology. A cooperação entre as empresas é voltada à análise de dados de satélites no Brasil. O relatório do Comitê Seleto sobre a China foi publicado no dia 26.
“Mas, me estarrece, nem o governo federal nem a citada empresa terem se pronunciado, embora, há 20 anos, o governo do PT na Bahia faça parceria com empresas chinesas. Alguma coisa estão fazendo; será que estão monitorando o sistema de segurança brasileiro? Então, vamos refletir sobre o que essa guerra tem a ver com a gente”, questionou Tinoco.
Também avaliando os números da segurança pública no Estado, o vereador Téo Senna (PSDB) reagiu aos dados divulgados pelo Instituto Fogo Cruzado, que apontam que 149 bairros de Salvador registraram tiroteios em 2025. “Quando 149 de 171 bairros são atingidos, isso significa que quase toda a cidade foi alcançada pela violência armada. Estamos falando de 87% do território. De cada dez bairros, apenas um não ouviu disparos ao longo do ano. Isso é inaceitável. Isso é o descontrole de 20 anos da atual gestão estadual”, criticou.
Segundo os dados, foram 1.104 tiroteios em 365 dias, uma média superior a três ocorrências por dia. “É como se, todos os dias, Salvador tivesse pelo menos três episódios de tiros espalhados pelos seus bairros. Nenhuma capital pode considerar isso normal. É uma rotina de medo que atinge trabalhadores, estudantes, comerciantes e famílias inteiras”, afirmou.
Para o vereador, os números escancaram uma capital que não pode se acostumar com o medo. “Apenas 22 bairros ficaram fora das estatísticas. Isso representa pouco mais de 12% da cidade. É como se Salvador inteira estivesse sob tensão permanente. Segurança pública precisa ser prioridade absoluta, com inteligência, prevenção e presença efetiva do Estado. E isso, infelizmente, não estamos vendo, pela falta de gestão do governo do Estado”, concluiu Senna.
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