Raquel Dodge pede depoimento de Temer sobre propina no Porto de Santos

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Em uma de suas primeiras manifestações envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB), a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou que o peemedebista preste depoimento no inquérito que apura suspeitas de corrupção envolvendo favorecimento à empresa Rodrimar no Porto de Santos.
A tentativa de ouvir Temer já havia desagradado ao Palácio do Planalto durante as investigações tocadas pelo antecessor de Dodge, Rodrigo Janot. Essa manifestação, obtida por ÉPOCA, foi enviada por Dodge ao ministro do STF Luís Roberto Barroso na última quinta-feira (28). No total, a nova PGR solicita a realização de sete conjuntos de diligências no inquérito, que serão tocadas pela Polícia Federal. Nomeada ao cargo de PGR pelo próprio Temer, Dodge afasta, com esses pedidos, as suspeitas de que poderia aliviar as investigações contra o peemedebista.
O alvo do inquérito são suspeitas de que a edição de um decreto sobre o setor portuário em 2017 favoreceu ilegalmente a Rodrimar.
Diversas das diligências solicitadas atingem diretamente Michel Temer. Entre elas estão o levantamento das doações eleitorais feitas pela Rodrimar e outras empresas de seu grupo econômico ao peemedebista e ao PMDB de São Paulo e nacional, para apurar as suspeitas de que os pagamentos de propina ocorreriam via doação oficial; e um pedido dos registros de entrada no Palácio do Planalto em 2017 dos representantes da Rodrimar e de outros investigados, como o coronel João Baptista Lima, apontado nas investigações como operador de Temer.
"Este órgão ministerial entendeu pela instauração de investigação para melhor elucidar os fatos, de maneira não apenas a confirmar a identidade das pessoas mencionadas, como também esclarecer se e em quais circunstâncias atuaram para repassar dinheiro ilícito aos agentes públicos Michel Miguel Elias Temer Lulia e Rodrigo Santos da Rocha Loures", escreveu Dodge.
O primeiro item das diligências são os depoimentos. Além de Temer, Dodge pede que sejam ouvidos o dono da Rodrimar, Antônio Celso Grecco, que é amigo de Temer; o executivo da Rodrimar Ricardo Mesquita; o coronel João Baptista Lima Filho; o chefe da Secretaria de Assuntos Jurídicos Gustavo do Vale Rocha; o advogado José Yunes (amigo de Temer); o delator da JBS Ricardo Saud; o ex-deputado Rocha Loures; e o empresário Edgar Safdie.
Nos itens dois e três, Dodge solicitou o compartilhamento do material produzido na Operação Patmos, baseada na delação da JBS. No item quatro, pede as doações eleitorais para Temer e seu grupo político.
O item cinco atinge diretamente o Palácio do Planalto: "A obtenção dos registros de entrada de quaisquer das pessoas mencionadas (Ricardo Mesquita, Celso Grecco, Edgar Safdie, coronel João Baptista Lima Filho e/ou José Yunes) no Palácio do Planalto, no ano de 2017".
No item seis, a solicitação é que o Ministério dos Transportes forneça informações sobre o grupo de trabalho que confeccionou o decreto investigado. No sétimo e último item, Dodge solicita o prazo de 60 dias para o inquérito.
Nesse inquérito, a defesa deve continuar sendo feita pelo advogado Antonio Cláudio Mariz em parceria com os advogados Frederico Donati Barbosa e Brian Alves Prado. Mariz só se considerou impedido nos casos envolvendo a delação do operador Lúcio Funaro, seu ex-cliente. A defesa tem negado favorecimentos à Rodrimar e argumenta que o decreto publicado por Temer desatendeu a parte das demandas do setor portuário.
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