Em imersão com indígenas na Aldeia Multiétnica, consultora denuncia retrocesso ambiental proposto pelo PL da Devastação
Localizada na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, a Aldeia Multiétnica se tornou novamente um ponto de encontro entre diversos povos indígenas do Brasil, reunindo ritos, trocas de saberes e resistência cultural. Em meio às cerimônias ancestrais, a aldeia também reforçou seu papel como espaço de mobilização frente às ameaças legislativas que colocam em risco os direitos dos povos originários, como o Projeto de Lei 2159/2021, apelidado de PL da Devastação.
A consultora em relações étnico-raciais e de gênero, Tainara Ferreira, esteve presente na imersão entre a última sexta (11) e segunda-feira (14) e acompanhou de perto as atividades realizadas, como rodas de diálogo e rituais sagrados conduzidos por representantes de diferentes povos.
Para ela, a vivência no território sagrado reafirma a urgência de proteger os conhecimentos ancestrais e os modos de vida originários, diante de um cenário político cada vez mais hostil às pautas ambientais e culturais, que visa destruir em prol de mais enriquecimentos da elite.
“A Aldeia Multiétnica é um espaço de sinergia, sabedoria e resistência. Presenciar os ritos e ouvir os relatos de quem vive a luta diária pela preservação da terra e da vida é um chamado para todos nós. Não podemos nos calar diante de projetos como esse projeto de lei, que desconsideram os impactos sobre essas populações e fragilizam o nosso ecossistema”, afirma a especialista.
O PL da Devastação, que tramita no Congresso Nacional, busca flexibilizar regras de licenciamento ambiental e retira a obrigatoriedade de consultas às comunidades tradicionais e indígenas em empreendimentos que afetem seus territórios, em uma medida que é vista por ambientalistas, juristas e lideranças como um grave retrocesso ecológico e social.
Sobre a Aldeia Multiétnica
Com a presença de etnias como Kayapó/Mebêngôkré (PA); Avá Canoeiro (GO); Krahô (TO); Fulni-ô (PE); Guarani Mbyá (SC) e Xavante (MT), a aldeia foi idealizada pelo produtor cultural Juliano Basso e tem como propósito o fortalecimento das culturas indígenas por meio de vivências imersivas com o público, promovendo educação, espiritualidade, arte, preservação e consciência coletiva. Além de reunir centenas de visitantes todos os anos, o projeto também atua na difusão de uma agenda de valorização dos povos originários.
Para Tainara Ferreira, que atua com letramento racial e decolonialidade, o momento é de união entre lutas antirracistas, ambientais e culturais. “Não tem nada que eu explique para vocês a minha emoção em estar lá, eu evitei gravar ao máximo porque a experiência é para ser vivida. É um sonho pessoal realizado e, antes de tudo, algo que acrescenta à minha trajetória para entender de perto como isso é precioso e necessário manter vivo”, concluiu emocionada.
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