Consultora racial aponta hipocrisia em esposa de Paquetá sobre caso em Salvador: “dorme com um investigado”

A vinda da seleção brasileira para Salvador na última semana, para a realização de um jogo contra o Uruguai na Fonte Nova, ficou marcada negativamente na população da cidade após uma fala de Maria Eduarda Fournier, esposa do jogador Lucas Paquetá, sobre os ‘cuidados’ que ela teve para não ser assaltada.



Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que não usaria brincos e jóias para não ser alvo de assalto no Pelourinho, Centro Histórico e ponto turístico da capital baiana. Maria Eduarda, ao explicar o motivo, disse que tinha “medo de alguém vir e arrancar minha orelha”. No entanto, muitos perceberam um sentido preconceituoso além de uma suposta vigilância à violência.



A consultora em relações étnico-raciais e gênero, Tainara Ferreira, declarou que, na verdade, o discurso foi claramente racista e xenofóbico contra o povo baiano, fruto do sistema operante na sociedade que sempre pregou a associação de negros com a criminalidade. Sobre o assunto, a especialista aproveitou para lembrar sobre as acusações contra o atleta, esposa da autora da polêmica.



“Maria Eduarda repete um costume inaceitável, que é associar sempre o nosso povo à violência e criminalidade. Ficou evidente, todos nós [de Salvador] entendemos, porque é rotineiro que turistas façam isso, com esse reflexo racista que coloca a negritude na marginalidade de tudo. Aliás, é bom ela refrescar a memória, pois ela dorme com um homem investigado por manipulação em jogos com casas de apostas, que lavam dinheiro. No mínimo uma hipocrisia, não é?”, indagou Tainara.



Citando a filósofa Denise Ferreira, que explica como funciona o processo de subjugação racial dos indivíduos não brancos, ela ainda pontuou sobre a necessidade do letramento para aqueles que desejam conhecer a cidade, considerada a mais negra fora do continente africano, e entender a complexidade sociocultural existente.



“Falo de forma direta: vão aprender o que somos antes de vir e cometer absurdos como esse! Não somos bichos e muito menos vamos aceitar esses casos com sorriso no rosto. Vivemos com isso, nos acostumamos com isso, mas os tempos são outros. Estudar o racismo e suas consequências é entender o país que vive e sair dessa bolha fora de órbita”, recomendou.



Isto é possível através de mentorias, cursos e consultorias disponibilizadas, como método educacional de aprofundamento a este grave problema, sistematizado e institucionalizado como princípio causador de mazelas no país desde a invasão portuguesa e sua respectiva escravização dos povos africanos, trazendo consequências nos âmbitos de gêneros, classes e regiões nos tempos atuais.



“E outra: é inadmissível que pessoas públicas e influentes estejam alheias do letramento racial, principalmente quando tiverem em solo majoritariamente negro como é Salvador”, completou a especialista baiana.

 

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