Mercado corta projeção de PIB para 2020 e reduz a da inflação em 2019

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O mercado financeiro reduziu sua estimativa de crescimento da economia brasileira em 2020 para 2,07%, ante os 2,10% registrados na semana passada, segundo dados do Boletim Focus do Banco Central divulgados nesta segunda (9). A projeção para a inflação também foi cortada pela quinta semana consecutiva.

No sábado, o jornal Folha de S.Paulo mostrou que alguns dos principais bancos do país, como Itaú e Bradesco, e consultorias já estimam que a alta do PIB (Produto Interno Bruto) não deverá chegar nem a 2% no próximo ano, com o país chegando ao quarto ano de crescimento pífio.

Neste ano, o PIB deve subir 0,87%, projeção estável na comparação com a semana anterior. Com a economia anêmica, o mercado também cortou suas projeções para o avanço da inflação. O IPCA (indicador oficial) deve fechar no ano em 3,54%, ante 3,57% previstos uma semana antes. Houve ainda um corte nas estimativas para o próximo ano, de 3,90% para 3,81%.

É o quinto corte consecutivo na projeção para a inflação e o menor patamar de projeção em um ano. A redução de estimativas ocorre mesmo em um cenário de alta do dólar e queda da taxa de juros, mostrando a dificuldade de recuperação da economia. As previsões para a taxa Selic, atualmente em 6% ao ano, não foram alteradas. Analistas ouvidos pelo Banco Central esperam que ela termine o ano em 5% e 2020, a 5,25%.

Essa é a mediana das projeções. O Bradesco, porém, estima que a taxa cairá a 4,75% e deverá permanecer nesse patamar até o final do próximo ano. Com a mudança na taxa de juros e os choques vindos do exterior (com a guerra comercial travada entre Estados Unidos e China e a piora na situação da Argentina), a taxa de câmbio pode terminar o ano em patamar mais elevado.

Neste ano, a expectativa é de R$ 3,87, ante os R$ 3,75 de quatro semanas atrás, antes das eleições primárias argentinas mostrarem uma vantagem para a volta da chapa kirschnerista ao poder. Para o fim de 2020, o câmbio foi estimado em R$ 3,85, ante R$ 3,80 de um mês antes.

A queda do dólar tampouco deve favorecer a indústria brasileira. Analistas passaram a estimar queda na produção industrial neste ano, ainda que tenham elevado a previsão de crescimento para 2020. Desde o dia 3 de setembro, quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a indústria encolheu em julho, economistas passaram a revisar as suas projeções. Agora, eles esperam uma queda de 0,29% neste ano, ante alta de 0,08% uma semana antes. Neste indicador, contudo, opinaram apenas 17 economistas.

Para o próximo ano, a projeção é de alta de 2,75%, ante 2,50% uma semana antes. Neste caso, 14 analistas apresentaram suas estimativas.

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